terça-feira, 27 de julho de 2010

Ter que admitir.

Meu pai, por menores que sejam, tem costumes de sua ex-namorada.
Minha avó não fala do meu avô, mesmo depois de anos de separação e da sua morte em três anos atrás.
Minha mãe perdeu seu maior amor em um acidente de avião.
Nenhum deles fala abertamente sobre isso, mas sei que todos sentem falta.
Descobri hoje, que sou muito parecida com minha avó, isso me assusta.
Ela não consegue admitir que está com medo da cirurgia do meu pai de amanhã...
Já eu, tenho medo de admitir qualquer coisa, saudade, dor, falta, amor.
Sei, dentro de mim, tem uma parte que não vai precisar até a semana que vem para saber, tem uma parte que já sabe o que vai acontecer, mas eu, tento com todas as forças destruir essa parte.
E se acabar como todas as pessoas da minha volta? Com os costumes, com as manias, com as lembranças.
Já não sei depender de alguém, tenho medo. Medo de admitir para mim mesma que sou fraca.
Deve estar escrito na minha cara, mas de todas as pessoas, a pior sou eu. Ter certeza de quem eu sou.
Sinto falta do teu 'eu te amo', sinto falta do teu abraço, do teu olhar, da tua presença. Saber que estas aí me conforta, me faz bem.
Posso ter tudo, sei que as minhas palavras podem mudar tudo, mas eu não sei se quero.
Não sei se quero porque tenho certeza que dessa vez vai ser diferente. Se for, vou me entregar ao máximo, fazer de tudo, me doar por completo.
Deixar que veja meus defeitos, meus pontos fracos. Só desejo, que se isso acontecer, saibas que estarei cedendo meu orgulho, e que tens uma grande responsabilidade em tuas mãos.
Não sei até onde isso vai, mas não quero perder nenhuma parte. Mesmo tendo que admitir.

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