quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Daqui (04/09)

Me diz porque me faz tão bem de repente.
Me explica como entende, como acalma.
Olha fundo, nos meus olhos.
Não, não olha.
Não sei como faz, como explicar.
Dessa vez as palavras aparecem todas na mesma hora, ao invés de desaparecerem.
Estão embaralhadas, reviradas. Todas na minha frente, mas alguém espalhou.
Alguém.
Esse alguém que me faz bem.
Que invade, que desaparece. Que surge e ressurge a cada segundo em minha mente.
Que brinca, que fala sério, que me acalma, que me enlouquece.
Esse alguém que tá longe, que tá perto. Que eu amo, que eu odeio.
Odeio amar, amo não odiar.
Que me deixa confusa, que me deixa perdida.
Já não sei ver as horas. Já não sei ler. Não sei pensar.
Tudo para, tudo gira.
Me leva daqui.
Leva para aí.

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