[Proibido para namorados] (In)felizmente, é. E passei os últimos dias (domingo, segunda, terça e quarta) extremamente bem. Imagine uma lua de mel, sem lua de mel. Independente da chuva ou do sol, se o meu cabelo está bem, se a minha roupa não está torta... Sabe quando tudo se acerta? Quando está simplesmente perfeito? Nesses dias foi suficiente pra eu caminhar, sentir o vento e aproveitar a Mãe Natureza. Notei que todos os casais brigam, toda família, mas o mais importante é saber o porquê de estarmos todos juntos. É ótimo perceber que tem alguém que se importa contigo e faz de tudo para agradar. Minha vida está tomando outros rumos, estou criando outros sonhos, acho que os adultos chamam isso de amadurecimento. Para quem era verde, é um bom começo. Essas férias, de pais, me proporcionou coisas ainda melhores, descobri que é muito melhor estar em paz comigo mesma do que me culpando pelo que como ou não como, por como saio de casa, pelo jeito que arrumo meu cabelo ou por sair por ai andando de mãos dadas e distribuindo beijos na pessoa que eu, é, amo. Sempre vai ter alguém para passar de carro e gritar “Vão para casa” ou “É o amor” enquanto estou abraçada nele ou apenas brincando de caminhar com os meus pés em cima do dele. Posso dizer que a Helena me ajudou a ser fofa, mas esse tempo tem me ajudado e ser mais, algo que eu chamaria de, humana. O que poucos são hoje em dia.
Li sim, alguns livros sobre cachorros. Meu primo que usa chapeis iguais ao do Chris Drew, que ama cachorros, quer ser diplomata, joga uno e adora sorvete de flocos me emprestou para ler enquanto estou aqui. Admito que queria ler “Quem ama educa”, mas gostei de ler. É algo mais natural. É interessante o modo como o homem lida com os cachorros e, sinceramente, gostei.
Esses dias me mostraram com mais clareza as minhas imperfeições, os meus defeitos. Mas toda vez que eu olho no espelho, agora, eu respiro fundo e penso: Irei mudar aos poucos, as coisas vão se ajeitar. Estou completamente afastada de todos os meus amigos ou pessoas que eu poderia considerar tal. Não é porque estou namorando (afinal, pratico esse ato faz seis meses). É pelo fato de estar esgotada disso, esgotada de ligar e procurar por pessoas que, na maioria das vezes não aparecem. Decidi que ligo, aviso, falo: uma vez. Não estou me fechando para o mundo, somente me privando do desgaste. Estou a cada dia mais exigente, admito. Acho as pessoas mais falsas e superficiais. Sei que posso acabar no final completamente sozinha, eu sei.
Estou pensando a cada dia mais no meu futuro, em como as coisas vão ser daqui a dois, três ou quatro anos. Me tornei mais sonhadora, mais aberta, mais fácil de se machucar. São riscos. Afinal, o que é a vida, senão um grande risco?
Sabe qual é a pior parte de se apaixonar? Estar apaixonado. Sabe qual é a melhor? Estar apaixonado. Não por um namorado, não por mim, mas por tudo. Apaixonada por como as coisas são. Cansei de questionar por quê “O Criador” resolveu fazer as coisas desse jeito. Apenas aceito e penso que poderia ser pior, isso me leva a crer que está muito bom. Entrar em harmonia com a vida. Apaixonar-se a cada dia por si e pelo mundo. Por, mesmo com tanta destruição, desastres, poluição, ainda continuamos vivos, ainda temos o prazer de vermos lugares lindos. Aprendi a ser calma, e devo isso a ele.
Minha vida não é a mesma todos os dias, minha visão sobre a humanidade muda a cada segundo, minha cabeça não para de funcionar, meu futuro depende não só, mas principalmente, de mim. Quero fazer o que gosto, independente da minha renda, há preocupações demais no mundo, para quê nos preocuparmos com outras coisas?
Esse novo parágrafo é para dizer que, sei que estou chata, mas estou feliz. Estou. Estou muito bem por poder sair pela noite com meu namorado, observar as estrelas em cima de uma pedra na praia, poder olhar em seus olhos. Poderia caminhar milhas, se soubesse que tudo que fiz, por tudo, que todos os conselhos que dei, todas as ajudas (por mínimas que sejam), todo ombro que cedi, todas as lagrimas que sequei, estivessem atrás de mim, sorrindo. Que todo aquele esforço valeu a pena, que todas as vezes que tentei (independente do resultado) tenham valido. O simples fato de tentar deveria haver prêmio.
De que adianta fazer o tema, limpar o quarto, dar bom dia, se ninguém mais para ao seu lado e diz: Muito obrigado, você está agindo certo. Entretanto, você só pode cobrar aquilo que oferece. E por que não oferecer esse muito obrigado? Sei que essas coisas de autoajuda são chatas e provavelmente a Helena vai mandar eu tomar banho depois de ler isso, mas espero que tu entendas como estou, como anda a minha vida.
Tenho tido sonhos perturbados com pessoas que não mais falo, como tu. Pessoas que passaram na minha vida e agora foram, que não adianta mais tentar uma aproximação. Momentos não voltam. O tempo é um só. Entendas que estou melhor do que imagino, que a minha cor no verão ou as minhas unhas pintadas (ou não) ou a depilação que tu tanto ama falar, eu já não me preocupo. Isso não quer dizer que não faço nada por elas, faço. Mas não fico preocupada que alguém vá me cobrar por isso. É a minha vida, ninguém tem que me cobrar por nada que eu faço ou deixo de fazer.
“Seu dinheiro pode comprar um cachorro, mas não o balançar do seu rabo”.[/Proibido para namorados]
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